Grandes Benfeitores

JB Fernandes Memorial Trust / Rockefeller Philantropy Advisors

Com amabilidade, carinho e compreensão, JB Fernandes Memorial Trust/Rockefeller Philantropy Advisors, colaborou na aquisição do mobiliário para o Lar, ajudando a melhorar a qualidade de vida das senhoras e senhores aqui residentes, assim como, na compra do edifício da Loja, que dá escoamento aos trabalhos realizados no Atelier de Pintura, onde a Misericórdia criou condições de profissionalização e emprego a jovens, de modo a evitar a sua exclusão social.

A nossa Misericórdia viveu desafogadamente com os seus rendimentos próprios e muitos recursos, chegando a causar inveja a outras instituições congéneres. Viveu muitos anos e talvez séculos, de abastança, e a comprová-lo está a enorme documentação existente no seu velho arquivo. Mas a partir de 1930, vive somente da generosidade dos benfeitores.

Conscientes de que corremos sérios riscos de omissão involuntária na elaboração de uma lista de Beneméritos da Santa Casa da Misericórdia da vila de Óbidos, lembramos aqueles de que conseguimos obter registos fidedignos.

Exerceram os respectivos cargos administrativos as pessoas mais ilustres da Vila de Óbidos e seu termo, que então muitos contava e que os desempenharam com o requerido espírito de caridade e pelo amor de Deus.

Provedor D. Francisco de Eça (1636).

Provedor e Beneficiado João de Matos (1675).

Padre José Ferreira, de Olho Marinho, “que deixou à Misericórdia a sua enorme fortuna”.

Provedor e Prior Dr. João Tinoco Vieira (1678) - Prior da Colegiada de S. Pedro a quem se deve o azulejamento que interiormente reveste a capela da Misericórdia e que é do melhor da época.

E ainda o Provedor e Beneficiado Faustino das Neves, que também lhe deixou avultados rendimentos. Era natural de A da Gorda, era membro da Colegiada de Santa Maria de Óbidos e de elevado estrato social obidense, tendo ascendido a Provedor da Santa Casa, e falecido em 5 de Setembro de 1689, em Óbidos. Encontram-se ambos, sepultados na própria igreja da Santa Casa. Este templo tem o seu pavimento todo em lajes, formando campas, destinadas aos confrades do Divino Espírito Santo. No entanto, a campa de Faustino das Neves, à direita da porta principal, junto da parede, está devidamente assinalado, conforme os epitáfios, assim como, podemos admirar um mausoléu de mármore branco, porem muito bem trabalhado, com um escudo de armas em alto relevo dos Condes de Cavaleiros. Aqui se encontram sepultados, D. Maria Luísa, condessa da Guerra e camareira da rainha D. Maria Ana de Áustria, casada com D. Gregório Ferreira de Eça, também provedor, à semelhança do primeiro Conde.

Nos últimos tempos, exerceram os respectivos órgãos sociais, as pessoas mais ilustres da Vila de Óbidos e seu termo. Padre José Ferreira do Olho Marinho (Memórias Históricas).

Cândido Avelar, a benemérita Família Avelar, num período, em que a Instituição não tinha dinheiro, nem recursos e em ruínas, manteve a Misericórdia aberta durante muitos anos, como se fosse a sua segunda casa, à custa de grandes sacrifícios de toda a ordem, inclusivamente da sua fortuna pessoal.

Família Pinto Basto, uma ilustre família que muito contribuiu para a reabertura da Misericórdia, ainda antes da realização dos Cortejos de Oferendas.

Eduardo Igrejas, antes de ser provedor, foi Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa. Não sendo filho de Óbidos, a Óbidos dispensou um carinho e uma dedicação extraordinários. Todas as iniciativas tendentes a engrandecer a sua terra adoptiva, nele encontram aprovação e ajuda. À semelhança do senhor Cândido Avelar, muitas vezes, modestamente, sem alarde, acudiu aos aflitivos apelos da Santa Casa, sempre necessitada dos meios necessários ao prosseguimento da sua nobre missão.
Nos cortejos das Oferendas participava com brilho e com relevo pelo que é digno e merecedor da gratidão de todos os obidenses.

Júlio Carlos Sechtini - Faleceu em Óbidos, a 27 de Fevereiro de 1969. Era solteiro, de 92 anos de idade, natural de Óbidos e funcionário aposentado da Câmara. Durante quase toda a sua vida, inteiramente passada em Óbidos, foi elemento de extraordinária actividade e dinamismo, qualidades que juntava às de carácter e honestidade invulgar. Por longos anos fez parte da Mesa da Misericórdia, onde desinteressadamente, trabalhou, deixando o seu nome ligado à prestimosa instituição. Incansável organizador e promotor dos Círios da Senhora da Nazaré, não se poupava a esforços e canseiras quando se pensava realizar em Óbidos as seculares Solenidades da Semana Santa, nas quais tinha parte activa e preponderante. Com a sua morte desaparece mais um infatigável filho de Óbidos. Paz à sua alma!

Doutor Henrique Moutinho – Nos primeiros meses de 1966, radicado em Óbidos, na casa PICUA, foi reconhecido como um grande benfeitor do nosso Hospital e amigo dos pobres.

Fez a valiosíssima oferta dos mais variados apetrechos hospitalares à Santa Casa da Misericórdia do nosso concelho. Equipamentos completos, avaliados num montante que ultrapassou os muitos milhares de escudos.

Em Maio de 1968,, no decorrer da Assembleia Internacional do Tracoma, que se realizou em Amesterdão, dentro do quadro do III Congresso Europeu de Oftalmologia, foi atribuída a Medalha de Ouro Internacional do Tracoma “Paul Chibret”, ao Sr. Dr. Henrique Moutinho, que agradeceu a distinção, considerando que ela era devida a Portugal, onde o tracoma, graças à acção da sua Direcção-Geral de Saúde, deixou de constituir o grave problema de alguns anos.

Dr. João Lourenço

Ilustre médico desta Vila e individualidade que merece o maior apreço, respeito e amizade, e que Óbidos considera como seu filho pelo muito que lhe deve.
Médico na Santa Casa da Misericórdia da Vila de Óbidos

A manifestação ao Dr. João Lourenço

No dia 22 de Maio de 1966, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, por iniciativa da Câmara Municipal, realizou-se uma manifestação de apreço, reconhecimento e gratidão ao Sr. Dr. João Lourenço, durante a qual foi pública e solenemente prestada homenagem ao distinto médico, recentemente afastado das suas funções públicas por ter solicitado a sua aposentação.

De acordo com O Obidense, "foi uma manifestação de carácter concelhio a que individualidades doutros concelhos quiseram associar-se, marcando a sua presença.

Presidiu o Presidente do Município, em representação do Sr. Governador Civil de Leiria, impossibilitado de comparecer, que se encontrava ladeado pelas mais altas e representativas entidades."

Continuo a transcrever do jornal “Aberta a sessão e depois de lida a acta camarária que patenteia ao Sr. Dr. João Lourenço a mais profunda gratidão por tudo quanto fez por Óbidos e seu concelho, durante um período por mais de 3 anos, foi dada a palavra ao Sr. Eduardo Egrejas, Provedor da Santa Casa da Misericórdia local. Seguidamente falaram os Srs. Dr. José Fernando Marques da Silva e Dr. Aníbal Rodrigues Dias Correia, distintos advogados, na Lourinhã e nas Caldas da Rainha, respectivamente, os quais enalteceram, brilhantemente, a acção do Sr. Dr. João Lourenço.

Foram lidos nesta altura inúmeros telegramas de muitas e mais diversas individualidades, das mais variadas categorias sociais, que quiseram associar-se, mesmo de longe, à justa homenagem ao ilustre clínico.

Falou em seguida o Presidente da Câmara, fazendo entrega, no final das suas palavras, duma simbólica lembrança do Município ao Dr. João Lourenço, ofertando também a sua Esposa um lindo ramo de cravos brancos e vermelhos. Outras flores, muitas flores foram oferecidas ao homenageado.

Agradeceu, finalmente, o Sr. Dr. João Lourenço, recordando a sua chegada a Óbidos, os seus trabalhos no decorrer dos últimos decénios, lembrando velhos amigos, uns já levados pela morte outros ainda, felizmente, no meio de nós. Agradeceu a homenagem que lhe quiseram fazer e confessou-se satisfeito e feliz por se ver rodeado de tantos e tão grandes amigos.

Seguidamente, foi muito cumprimentado pelas muitas centenas de pessoas que tomaram parte na manifestação.

Na Subdelegação de Saúde, foi descerrada uma fotografia do homenageado, cerimónia coroada por muitas e vibrantes palmas.

À noite, na Estalagem do Convento, realizou-se um jantar, que um grupo de amigos ofereceu ao Sr. Dr. João Lourenço e a sua Exma. Esposa.”

"Honra-se, hoje, “O Obidense”, publicando a fotografia do ilustre médico desta vila – Sr. Dr. João Lourenço, como respeitosa homenagem por ter passado à aposentação dos serviços públicos, onde prestou, durante tantos anos, serviços com uma assiduidade exemplar.

Fazer a biografia duma pessoa tão conhecida, como o Sr. Dr. Lourenço, seria difícil, se quiséssemos descrever todos os actos da sua vida como médico no nosso concelho; mas dirigimos-lhe apenas duas linhas muito sinceras, como simples tributo de homenagem às belíssimas qualidades que o ornam, ao seu belo carácter e à sua verdadeira dedicação por todos nós.

Trabalhador infatigável, amigo leal, funcionário zeloso, irrepreensível na sua vida moral, chefe de família exemplar, deve ao seu próprio esforço, à sua maneira de ser, todas as justas homenagens, todas as manifestações de simpatia que o alvejam.

Conhecedor profundo da ciência a que se dedicou, tão subtil, tão complexa, sempre médico abalizado, carinhoso, sem esmorecimentos, sem vacilações, atitudes tão necessárias aos doentes, aos que sofrem.

São inúmeros os serviços prestados ao nosso concelho pelo ilustre médico e muito há ainda a esperar da sua actividade, da sua dedicação à terra onde está radicado há muitos anos, que tanto se orgulha de o ter como filho, pois nem o cansaço, nem outros motivos, conseguem diminuir-lhe o entusiasmo e o espírito de sacrifício a bem dos outros.

Se não bastassem os seus méritos científicos para o colocarem num plano de grande superioridade, tínhamos ainda a nobreza do seu carácter, que o tornam digno da maior consideração.

Por todos os motivos, o Sr. Dr. Lourenço é alvo da maior estima, do maior respeito de todas as pessoas, sendo uma das figuras mais proeminentes da nossa terra.

As homenagens simples que lhe têm sido prestadas foram grandiosas pelo alto significado, pela gratidão que traduziram, pela admiração à sua grandiosa obra, que temos obrigação de compreender, sentir e acarinhar.”